22 set, 2014

O Encargo Divino dos Ahlul Bait (A.S.)

22 set, 2014

Por: Ahmad Ismail

Em nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso.

A bênção e a paz estejam sobre o nobre Profeta e sobre sua purificada linhagem, a misericórdia de Deus sobre seus fiéis seguidores, muçulmanos e muçulmanas.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.):

“É provável que eu seja chamado logo e responderei a esse chamado. Então eu vos deixo dois encargos: O Livro de Deus, o qual é como uma corda estendida do céu até a terra, e minha família (ahlul bait), pois verdadeiramente Deus, o Afetuoso, O Conhecedor de Tudo, revelou-me que jamais, jamais esses dois estarão separados um do outro até encontrarem-se comigo junto a fonte de Kauçar (no Dia do Juízo). Portanto, cuidado como tratareis a esses encargos em minha ausência”. Uma narrativa similar acrescenta: “Nunca, nunca vos extraviareis se vos apegardes a esses dois (encargos).”

Hadith Çaqalain (Dos Dois Encargos) é narrado por mais de 20 dos companheiros do Profeta (S.A.A.S.) e por mais 185 narradores com leves alterações. Com base em outros ahadith, comunicados por pessoas idôneas e por uma corrente de transmissão comprovada, os Ahlul Bait (AS) foram designados por Deus e Seu Profeta, dignos guardiões da autêntica Sunnah (tradição profética), tendo a missão de salvaguarda-la de todos os equívocos, inovações e distorções. As divisões, os desvios e os desmandos que a história registra e tiveram lugar nos anos que se seguiram à partida do Mensageiro de Deus demonstraram a razão deste desígnio divino. De fato, é inconcebível que Deus e seu Mensageiro (S.A.A.S.) não deliberassem sobre a Liderança da Ummah a fim de manter a unidade e a coesão dos muçulmanos, deixando tão importante decisão nas mãos da comunidade, em tão delicado momento, em que o perigo de sedição ainda se fazia presente. Todos sabemos que por melhor e mais conscienciosa seja uma eleição, sempre há a grande possibilidade de erro, portanto, o argumento de que a consulta mútua deveria ser aplicada em tal assunto é insustentável e se confronta com a razão e a natureza divina da mensagem trazida pelo Profeta (S.A.A.S.).

Várias narrativas fidedignas asseguram que o Wilayyah (Encargo Divino) dos Ahlul Bait (A.S.) foi anunciado pelo Profeta (S.A.A.S.) designando o Imam Ali Ibn Talib (A.S.), seu primo, como o Imam dos muçulmanos após sua morte, enquanto não existe nenhuma narrativa confirmada em que o Profeta (S.A.A.S.) tenha autorizado ou recomendado uma eleição para que se decidisse quem seria o líder da comunidade depois dele .

O encargo da liderança da Ummah, devido a sua importância, seria uma das questões decisivas, apropriadas à atribuição profética ou à autoridade conferida ao Profeta (S.A.A.S.), desde que o Khalifa (sucessor, encarregado) seria o representante de Deus na terra e deveria, portanto, reunir qualidades e virtudes espirituais e intelectuais que não poderiam ser avaliadas senão por Deus e pelo Profeta (S.A.A.S.). Nem a decisão da maioria tampouco a unanimidade contam com dois requisitos que tal atribuição exigia: îlm (conhecimento espiritual) e total imparcialidade. Mesmo que houvesse total imparcialidade (o que não era o caso), ainda faltaria o conhecimento profético inspirado que com a permissão divina pode determinar com certeza e plena justiça. No Ikmal Ud din consta uma tradição que alude ao seguinte versículo sagrado:

“Ó VÓS QUE CREDES, OBEDECEI A DEUS, AO PROFETA E AS VOSSAS AUTORIDADES FUNDAMENTAIS…” (C.5 – V.59)

Através de Jábir il júfi é narrado de Jábir Ibn Abdallah, um dos companheiros do Profeta (S.A.A.S.): “Eu perguntei: ó Mensageiro de Deus, nós conhecemos Deus e seu Profeta, mas então quem são Ulul amr (autoridades fundamentais), a quem Deus tornou a obediência igual à obediência a vós?” Respondeu o Profeta: “Eles são, depois de mim, ó Jabir, meus sucessores e os Imames dos muçulmanos, o primeiro deles é Ali Ibn Abu Talib, depois Hassan, depois Hussein, depois Ali Ibn Al Hussain, depois Mohammad Ibn Ali, conhecido na Torah como Báqir, a quem você verá, ó Jábir, saúde-o por mim, depois dele será o Sádiq, Ja’far Ibn Mohammad e depois Musa Ibn Ja’far e então Ali Ibn Musa, depois Mohammad Ibn Ali e então Ali Ibn Mohammad, e depois Al Hassan Ibn Ali e por fim aquele que terá o meu nome e minha alcunha, será a autoridade de Deus na terra, o filho de Hassan Ibn Ali, por cujas mãos Deus abrirá os ocidentes e o orientes e será aquele que estará oculto de seus seguidores e dos que o amam, e sua liderança não será atestada pela palavra de ninguém exceto daquele cujo coração Deus testará pela fé.” Eu perguntei a ele: “Ó mensageiro de Deus, seus seguidores serão assistidos por ele durante sua ocultação?Ele respondeu: “Sim, por aquele que me designou a profecia, eles buscarão o brilho de sua luz e aproveitarão dela pela devoção em sua ausência do mesmo modo que as pessoas aproveitam da luz do sol quando as nuvens o cobrem.”

A distinção de Imam Ali Ibn AbuTalib (A.S.) era plenamente conhecida pelos contemporâneos do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.), dentre os seus mais devotados e valorosos companheiros Ali se destacava sobremaneira por suas qualidades morais e seu profundo conhecimento do Alcorão, e isso foi atestado pelo Profeta (S.A.A.S.) que declarou: “Eu sou a cidadela do conhecimento e Ali é a porta”. Esta tradição é aceita como fiel e consta mesmo nos livros de tradições sunitas, como também se reconhece que o título dado pelo Profeta (S.A.A.S.) a Ali (A.S.) de “Amr al Mu’uminin” (Emir dos Fiéis) é um fato que atesta sua posição honrosa entre os primeiros muçulmanos. Dentre as mais importantes atribuições de um Imam está a capacidade de jurisprudência, o pleno conhecimento do Dín para exercer o Ijtihad (decisão ou ciência da dedução abalizada), parece-nos evidente que o comando do Profeta (S.A.A.S.) foi preterido quando os influentes dentre a comunidade se reuniram para deliberar sobre quem lideraria a Ummah após o falecimento do Profeta (S.A.A.S.).

É relatado no Dhurul Mançur por Ibn Marduyyah de narração do Imam Ali (A.S.) que o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) o informou dizendo: “Ò Ali, ouviste a Palavra de Deus: “EM VERDADE, OS QUE CRÊEM E PRATICAM O BEM SÃO AS MELHORES CRIATURAS? “Tú é os que te seguirem são estes, e o lugar apontado a mim e a vós é a fonte da Abundância. Quando eu vier para o acerto das nações vós sereis chamados e vossas frontes estarão brancas”. Diversos sábios sunitas citaram o mesmo significado em seus trabalhos como: Khatib Kharazmi em Manáqib, Allamah Tabari em seu famoso comentário Tabari, Al’usi em Ruh ul-Ma’ani, Ibn Sabbagh Maliki em Fusu ul Muhimmah, entre outros.

Em duas coletâneas aceitas pelos sunitas como as mais fiéis Sahih Bukhari e Sahih Muslim, consta a seguinte tradição do Profeta (S.A.A.S.): “Ó Ali, tu és para mim o que Harun foi para Mussa (Moisés), ainda que não haja profeta depois de mim.”

Uma outra tradição autêntica assegura que o Profeta (S.A.A.S.) tenha dito: “Ali é a porta do meu conhecimento, revelador ao meu Ummah, que se propagará depois que eu me for, o amor por ele é sinal de fé e o desprezo por ele é sinal de hipocrisia.”

Umm Salamah, uma das esposas do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) relatou que: “Eu ouvi o Mensageiro de Deus dizer que “Ali está com a verdade e o Alcorão, e a verdade e o Alcorão estão com Ali e não se separarão até que a questão retorne a mim.” (Esta afirmação foi confirmada em 15 testemunhos, particularmente por Ibn Abbas, Aisha, Abu Bakr, Abu Said Al Khudri, Abu Laila, Abu Ayub al-Ansári e pelo próprio Ali (A.S.)).

Tal é a profusão de dizeres que atestam a distinção de Ali (A.S.) perante o Profeta (S.A.A.S.) que torna-se difícil acreditar que fosse um fato desconhecido, mesmo antes da Declaração profética da Designação do Imamato de Ali (A.S.), que a vontade do Profeta (S.A.A.S.) seria encarregá-lo de dirigir os destinos da Ummah após a sua morte. Ainda que se aceite que o Profeta (S.A.A.S.) tenha honrado muitos dos companheiros por sua devoção à causa de Deus, no caso específico de Ali (A.S.) o Profeta (S.A.A.S.) sempre ressaltou sua sabedoria de um modo ímpar.

O Acontecimento de Ghadir Khum

Este acontecimento, em vista das maquinações dos que tomaram o Califado nos séculos que se seguiram, esteve desde então envolto numa aura de silêncio. Na verdade, desde o falecimento do Profeta (S.A.A.S.) a comunidade Islâmica se dividiu a respeito desse fato, muitos dos que o presenciaram preferiram silenciar e acompanhar a decisão majoritária que deliberou o Califado à Abu Bakr. No princípio essa atitude provavelmente foi tomada como uma maneira de não acender disputas entre os muçulmanos em um momento delicado em que a Ummah ainda enfrentava a oposição de seus inimigos. Porém, durante a dinastia omíada o esforço das autoridades era de “desacreditar” os familiares do profeta perante o povo, logo, isso também significava apagar os vestígios sobre esse acontecimento.

Entretanto, o que relataremos a seguir encontra-se registrado em várias obras importantes de renomados sábios. No ano 10 da hijra, quando o mensageiro de Deus (S.A.A.S.) retornava da que foi conhecida como a Peregrinação do Adeus para Medina, Deus lhe revelou o seguinte versículo:

“Ó MENSAGEIRO, PROCLAMA OQUE TE FOI REVELADO POR TEU SENHOR , PORQUE SE NÃOFIZERES, NÃO TERÁS CUMPRIDO TUA MISSÃO. DEUS TE PROTEGERÁ DOS HOMENS, PORQUE DEUS NÃO ILUMINA OS INCRÉDULOS.”(C.5 – V.67)

Então, o Mensageiro (S.A.A.S.) reuniu as pessoas num local chamado Ghadir Khum e depois de relembrá-los sobre o encargo de seus descendentes e sobre as atribuições deste Imamato em relação aos demais preceitos do Dín, diante de todos disse: “Ó humanos, sabei que Deus Protetor e Majestoso é meu Soberano e eu sou Soberano dos que crêem, e sou eu quem soluciona suas questões e não eles mesmos?” E então ele disse a Ali: “Levanta-te!” E continuando, disse: “Aquele de quem sou Soberano, Ali lhe será também, Deus apoiará a quem o acatar e se tornará inimigo de quem se inimizar com ele.” Então Salman se levantou e perguntou: “Ó mensageiro, soberano como.” E o Profeta (S.A.A.S.) respondeu: “Soberania como a minha soberania, aqueles que lhe sou mais importante do que a si mesmo, Ali lhe será mais importante do que a si mesmo.” Então Deus lhe revelou o versículo: “HOJE COMPLETEI PARA VÓS A VOSSA RELIGIÃO, E TENHO VOS AGRACIADO E APROVEI PARA VÓS O ISLAM COMO RELIGIÃO…” O Mensageiro (S.A.A.S.) disse: “Deus é Excelso!” Completou-se a minha profecia e a doutrina de Deus, e Ali é o sucessor, depois de mim!”

Os muitos relatos registrados com pequenas variações afirmam que Ali (A.S.) foi felicitado pelos companheiros presentes (dentre esses registros a Coletânea de Ahmad Ibn Hambal Vol.4 Pg.281).

Poucos meses depois deste acontecimento o Profeta (S.A.A.S.) deixou este mundo. Enquanto Ali (A.S.) e os demais familiares do Profeta (S.A.A.S.) o sepultavam, os mais influentes da comunidade deliberaram sobre a sucessão e elegeram Abu Bakr como o primeiro Califa dos muçulmanos. No Sahih Bukhari é citado que Ali (A.S.) reivindicou seu direito, alegando que a família do Profeta (S.A.A.S.) não havia sido ouvida e que era de conhecimento o seu direito de sucessão sem no entanto conseguir demovê-los de sua decisão. Anos depois, já durante seu califado, Imam Ali (A.S.) em um dos seus sermões comentou sobre essa questão com as seguintes palavras: “Aqueles que concordaram com isso impuseram a decisão àqueles que estavam ausentes, de tal maneira que aquele que estava presente não pode ser dissidente, e aquele que estava ausente não pode escolher. Sabei que lutarei contra duas espécies de pessoas: aquela que reivindica o que não é seu e aquela que ignora aquilo que lhe é obrigatório”.

No decorrer de seu Califado, Imam Ali (A.S.) ao mesmo tempo que enfrentava as revoltas promovidas por aqueles que ambicionavam tomar o poder e submeter os muçulmanos à tirania, frisava o status da Família do Profeta buscando recordar o povo quanto aos dois encargos legados pelo Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) dizendo: “Nós, a família do Santo Profeta (S.A.A.S.), somos as portas através das quais a sabedoria autêntica e o verdadeiro conhecimento alcançaram a humanidade, somos as luzes da Religião”.

O Fundamento Wilayah (Encargo Divino)

O fundamento do encargo divino dos Imames dos Ahlul Bait (A.S.) provém de Deus e de Seu Profeta, e os Imames designados foram investidos de semelhante autoridade espiritual, sendo portanto os seus dizeres e ações a continuação da Sunna e da orientação do Profeta (S.A.A.S.). Estes Imames foram dotados das qualidades requeridas para guiarem os muçulmanos e preservarem o dín: veracidade, retidão, temor a DEUS, conhecimento espiritual correto quanto ao aspecto exotérico e esotérico do dín e de sua aplicação na vida humana. Diz-se com isso que não só as fiéis tradições como também a correta compreensão do Dín foi legada pelo Profeta (S.A.A.S.) a Ali (A.S.), e deste a Al Hasssan (A.S.) e Al Hussein (A.S.) numa corrente sucessiva até o décimo segundo Imam (A.S.). Uma breve análise sobre essa corrente de conhecimento nos permite perceber que há nela um sentido de unidade, coerência e homogeneidade muito ao contrário da miscelânea confusa e muitas vezes contraditória das muitas correntes de transmissão dos ahadith e as diferentes opiniões adotadas pelos sunitas.

Disse o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.): “O exemplo de minha família é similar ao da Arca de Noé, quem quer que embarque nela estará a salvo, e quem se opor a isso, certamente se afogará.” (esta tradição foi narrada por 8 companheiros do Profeta (S.A.A.S.), por 8 discípulos destes, por 60 famosos sábios e por mais de 90 autores das escolas sunitas).

E disse ainda:

“Aquele que deseja viver minha vida e morrer minha morte e entrar no Paraíso que meu Senhor me prometeu, o qual é a vida eterna, deverá acatar Ali e sua descendência depois de mim, porque eles jamais lhe negarão a porta da orientação, como jamais o farão entrar pela porta da perdição”.

Deus em sua infinita clemência para com os que crêem concedeu-nos O LIVRO ILUMINADO (Alcorão) no qual na há tortuosidade, mas sim a retidão e a verdade para todos os assuntos, de cujos versículos Deus, Exaltado Seja diz: “ORIENTAÇÃO E MISERICÓRDIA PARA OS BONDOSOS.” (31: 3)

E concedeu-nos o Nobre Mensageiro MOHAMMAD (S.A.A.S.) pelo qual abençoou todos os povos e sobre o qual declara em seu Livro Iluminado:

“EM VERDADE TENDES NO MENSAGEIRO DE DEUS UM EXCELENTE EXEMPLO PARA AQUELES QUE ESPERAM CONTEMPLAR A DEUS…” (33: 21)

E Deus, Exaltado Seja, não nos deixou a mercê das conjecturas humanas, dos carentes de sabedoria, dos inovadores e das armadilhas dos hipócritas, ávidos em confundir os muçulmanos e dominá-los, ao contrário: designou-nos Imames, guardiões do conhecimento correto do Dín para os tementes e firmes na fé. Assim, com o fim do ciclo da Profecia, iniciou-se o ciclo do Imamato Divino. O Altíssimo estabeleceu um laço de amor entre ele e seus servos que o amam e amam a seu Profeta e sua Família (tal é a distinção do Profeta e dos Ahlul Bait que Deus tornou compulsório invocar a benção sobre eles durante o Sallah).

A Aderência aos Ahlul Bait (A.S.)

A aderência a esses dois encargos divinos é concretizada pela obediência, sincera devoção, empenho nas boas ações e afastamento do mal. Imam Sádiq (A.S.) disse: “Aquele que obedece a Deus é um dos que nos ama e aquele que desobedece é um inimigo nosso”. Portanto, essa aderência requer as qualidades devidas que espelham a fé e o temor autênticos. É o incremento da fé que capacita o devoto a abraçar dignamente os dois encargos legados pelo Profeta (S.A.A.S.). Em diversos dizeres os Imames (A.S.) trataram das características que distinguiriam seus verdadeiros seguidores. Imam Báqir (A.S.) disse: “É suficiente para alguém, dizer-se um xiita por professar o amor a nós? Não, por Deus. Uma pessoa não é nosso seguidor exceto se tema a Deus e o obedeça. Nossos seguidores não são reconhecidos senão pela humildade, submissão, honestidade, louvor abundante a Deus, jejuns e preces, atendimento ao pobre, ao necessitado, aos devedores, orfãos e aos que estejam perto deles, dizendo a verdade, recitando o Alcorão, refreando a língua, salvo para o que é bom, e sendo confiável para o próximo em quaisquer assuntos.”

Em vista dos rumos que a comunidade islâmica tomou, o que resultou na tomada do poder sobre a Ummah por parte dos herdeiros do paganismo (omíadas). Os inimigos da verdade não hesitaram em lançar o seu ódio contra a Família do Profeta e seus seguidores pondo em prática uma cruel campanha para difamá-los ante os demais muçulmanos e em seguida, a uma dura perseguição através dos séculos. Tal situação é inerente ao nosso propósito de mantermos nossa aderência e fidelidade ao Verdadeiro Islam. O sangue dos mártires, o sangue de Hussain (A.S.), o Senhor dos mártires, líder dos jovens do paraíso e dos seus fiéis companheiros que tombaram é a prova eterna do que é o verdadeiro amor a verdade e este é um testemunho que não pode ser apagado. Na realidade, esse magnífico legado só é suportado por aquele cujo coração tenha sido forjado na fé, Imam Sádiq (A.S.) descreveu isso da seguinte maneira: “São aqueles a quem a adversidade e a desventura têm atingido. Foram estremecidos e postos à prova. Entre eles, há feridos e degolados, se encontram dispersos em lugares distantes, são de escasso número, os da mais alta posição e estima perante Deus.”

Não obstante as perseguições e as vicissitudes sofridas pelos Imames (A.S.), pelos demais familiares e descendentes do Profeta (S.A.A.S.) e por seus fiéis seguidores, Deus, Exaltado Seja, fez com que triunfasse a Xia’ah de Ali (A.S.) e estabeleceu o amor ao Profeta e a Ahlul Bait como um sinal dos verdadeiros fiéis em todas as épocas.

Disse o Profeta (S.A.A.S.): “Ensinai a vossos filhos três coisas: O amor por vosso Profeta, o amor por sua Ahlul Bait e a recitação do Alcorão”.

Imam Sádiq (A.S.) detalhou as vias do conhecimento dos que amam o Profeta e sua Família (A.S.) do seguinte modo: “Decerto que os que nos amam secreta e abertamente tem sinais mediante os quais são reconhecidos. Conhecem o Tawhid (monoteísmo) em sua forma real e dominam a ciência da Unicidade Divina, com isso, está a fé Nele (Deus) e em seus atributos. Logo, conhecem os limites, realidades, condições e inferências da fé”.

Sobre os que firmam em seu coração esse amor, o Profeta (S.A.A.S.) disse ao Imam Ali (A.S.): “Ó Ali, por certo que os primeiros quatro que entrarão no Paraíso serão eu, tu e teus dois filhos, Hassan e Hussein, e então nos seguirá nossa descendência, a estes seguirão aqueles que nos amam e nossos seguidores nos flanquearão”.

E Imam Sádiq (A.S.) disse: “Deus não ama um servo sem que o torne um do povo da wilayyah (xi’ah) e ninguém se torna um desses sem que o Paraiso lhe seja indefectível.”

Queira Deus incluir-nos entre esses e fortalecer nossos corações para a perseverança, a prática do bem e a espera de Imam Mahdi (A.S.). Que se apiede de nós e aceite o melhor de nossas ações e mantenha acesa em nossos corações a esperança e a fé nos incluindo entre os tementes, aos quais prometeu que não serão reféns do temor e não se entristecerão no Último Dia. Allahumma Salli ala Mohammad wa ali Mohammad.

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