O Islam é a mensagem celestial que Deus revelou ao profeta Mohammad ibn Abdellah (S.A.A.S.) através do anjo Gabriel. É o resumo de todas as mensagens celestiais e tem como base o Alcorão Sagrado. O objetivo desta mensagem é ligar Deus ao ser humano, e baseado nisso, ela deverá preencher todos os campos da vida.

O Islam tem dois aspectos: o das crenças e o das práticas, que se relacionam a todos os campos da vida; tanto material quanto espiritual. O aspecto da crença religiosa consiste em:


A) O MONOTEISMO

O Islam sempre pregou e afirmou o monoteísmo, negando qualquer tipo de divindade criada pelo ser humano. Seu principal lema é “Testemunho que não há divindade além de Deus”. Ele é único, eterno, absoluto, jamais gerou ou foi gerado e ninguém é comparável a Ele. Por isso, somente Deus é a fonte da legislação que guia e envolve o ser humano em qualquer lugar e época.

Através desta crença o ser humano faz uma aliança com o seu Senhor e com a profecia. Por isso, podemos dizer que testemunhar que não há divindade além de Deus é uma filosofia de vida e não meras palavras ou uma simples teoria.

B) A JUSTIÇA

A injustiça é um atributo maléfico e por Deus ser isento deste atributo Ele representa a justiça em si e nos convida sempre a praticar e a pregar a justiça e a verdade entre as pessoas, e com isso combate qualquer tipo de injustiça e opressão dentro da sociedade. Assim, a doutrina Islâmica objetiva uma vida cheia de paz e segurança para toda a humanidade.

Perante o Islam não há diferença entre as classes sociais, entre o pobre e o rico, o subordinado e o soberano, o negro e o branco. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: “Os seres humanos são tal qual o pente, todos os dentes estão nivelados”. Por isso, o Islam condena o terrorismo, em todas as formas que ele é apresentado, seja através de uma pessoa, de grupos ou por um Estado, pois o terrorismo significa a ofensa sobre o direito dos outros, tanto materiais quanto espirituais.

C) A PROFECIA

A profecia é o meio de comunicação entre o ser humano e Deus. É através dela que são reveladas as jurisprudências divinas para o ser humano. Aceitar a profecia é uma das crenças mais importantes da religião Islâmica. Crer no profeta Mohammad (S.A.A.S.) é crer em todos os profetas, já que eles foram enviados com a finalidade de ensinar aos seres humanos e transmitir a eles o que Deus quer, o que Ele proibiu e autorizou, por isso o segundo testemunho mais importante no Islam é “Testemunho que Mohammad é o mensageiro e servo de Deus”, já que ele é o último dos profetas e mensageiros, e carrega consigo o resumo de todos eles. Foi ele quem nos transmitiu o Alcorão Sagrado, um livro que não foi redigido por ele, mas ditado por Deus e revelado ao seu profeta e mensageiro Mohammad (S.A.A.S.) por intermédio do anjo Gabriel durante 23 anos.

D) O IMAMATO

Para que a última mensagem divina revelada pelo concludente dos profetas continue integralmente como foi exposta, foram nomeados e escolhidos, através de Deus, doze Imames e sucessores para dar continuidade à função do profeta Mohammad (S.A.A.S.) em divulgar, proteger e ensinar os fundamentos do Islam para a humanidade. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) anunciou, sob a ordem de Deus, a vinda destes doze Imames (A.S.) para liderar a nação e para serem protetores e conservadores desta grande mensagem. Ele disse: “Os Imames depois de mim serão doze, o mesmo número dos apóstolos de Jesus”. A nomeação dos sucessores após sua morte é algo muito relevante pelo tamanho da importância que o Islam representa na vida do ser humano, e para que a nação e a população não entrassem em conflito. O Alcorão Sagrado e o profeta Mohammad (S.A.A.S.) os nomeiam como Ahlul Bait (A.S.).

O Islam crê que o décimo segundo Imam, Al-Mahdi, dos Imames dos Ahlul Bait (A.S.), nascido em 868 d.C., está vivo e vive entre nós, entretanto está oculto de nossos olhares. Ele está vivo por um milagre divino, da mesma forma que o profeta Noé (A.S.), que viveu por mais de mil anos, e como vive até agora o profeta Jesus Cristo (A.S.). O Imam (A.S.) observa todos os acontecimentos do mundo e na sua ausência, a liderança é do líderes tementes a Deus e sábios, que governam sob o conhecimento e as leis Islâmicas, que se baseiam nos ensinamentos do Alcorão Sagrado e na tradição do profeta Mohammad (S.A.A.S.).

No final dos tempos é justo que a verdade seja vitoriosa e a integridade tome conta deste mundo. É isto que a humanidade aguarda e deseja. Com a força de Deus e com a Sua proteção o Imam Al-Mahdi (A.S.) será o salvador que aparecerá com a ordem de Deus, e junto a ele virá o profeta Jesus Cristo (A.S.). Deus disse no seu livro Sagrado: “Temos prescrito, nos Salmos, depois da Mensagem (dada a Moisés), que a terra, herdá-la-ão os Meus servos virtuosos”. (C 21 – V 105)

E) O JUÍZO FINAL

Os muçulmanos devem crer na ressurreição após a morte, pois Deus fará que o espírito volte para o corpo, não para viver novamente na Terra, mas para ser julgado e viver eternamente. Assim, Deus os julgará por seus atos e os compensará ou castigará. Recompensará os fiéis, crentes e obedientes, e a eles o paraíso estará reservado. Castigará os infiéis, desobedientes e injustos, e os punirá com o fogo do inferno. Isto foi pregado pelos profetas e confirmado por todas mensagens celestiais. Compensa então, ao ser humano praticar o desejo de Deus pois assim seguirá ao paraíso e não ao inferno, pois todos seremos julgados por nossos atos e atitudes.

Depois da morte o ser humano não se transforma somente em pó e acaba, mas é julgado no Dia do Juízo Final e recompensado ou castigado por todas as suas obras, sejam elas pequenas ou grandes. Deus disse no Alcorão Sagrado: “Quem tiver feito o bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á, e quem tiver feito o mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á”. (C 99 – V.7 e 8)

Convidamos a todos e a nós mesmos a seguir o caminho da verdade, o caminho que Deus quer. Assim saberemos o que agrada a Deus e o que não O agrada, e nos afastaremos do mal e, consequentemente da ira divina.


As Características do Islam

A religião conservada e protegida

A religião Islâmica esteve conservada e protegida de qualquer tipo de modificação e desvios, e continuará assim para sempre. Seus princípios e regulamentos nunca foram modificados desde o dia de sua revelação, e permanecerão assim até o dia do juízo final. Deus, louvado seja, disse no Alcorão Sagrado: “Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador” (C 15 – V 9).

A conservação do Alcorão Sagrado

A conservação desta grandiosa mensagem é resultado da conservação dos versículos do Alcorão Sagrado, que permanece intacto há quinze séculos. Este Livro Sagrado contém 114 capítulos e 6348 versículos que tratam dos mais diversos assuntos: teológicos, históricos, jurídicos, educacionais, sociais, econômicos, políticos, e etc… O Alcorão Sagrado foi revelado por Deus, por intermédio do anjo Gabriel, ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) que, obedecendo a sua função, repassou o conhecimento ao povo e às pessoas. O primeiro sucessor do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Imam Ali (A.S.), uniu e registrou, de acordo com a revelação, todo o Alcorão Sagrado revelado por Deus ao profeta Mohammad (S.A.A.S.).

A casa sagrada de Deus

Inicialmente os muçulmanos rezavam na direção da Mesquita de Al-Aqsa, localizada na Palestina, na cidade de Jerusalém. Ela é a primeira Quiblah (ponto de referência) e hoje é o terceiro templo sagrado para os muçulmanos. O profeta Mohammad (S.A.A.S.) estava sendo pressionado pelo Judeus pelo motivo que os muçulmanos rezavam na direção desta mesquita. Por isso, em um certo dia, Deus, louvado seja, ordenou que o profeta se direcionasse à Caaba. Isso foi registrado no Alcorão Sagrado: “Vimos-te (ó Mensageiro) orientar o rosto para o céu; portanto, orientar-te-emos até uma Quiblah que te satisfaça. Orienta teu rosto (ao cumprires a oração) para a Sagrada Mesquita (de Mecca)! E vós (crentes), onde quer que vos encontreis, orientai vossos rostos até ela. Aqueles que receberam o Livro, bem sabem que isto é a verdade de seu Senhor; e Allah não está desatento a quanto fazem”. (C 2 – V 144). Entre a sagrada Mesquita da Caaba e a Mesquita de Al-Aqsa ocorreu a viajem noturna do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Deus disse no seu livro sagrado: “Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o seu servo, tirando-o da Sagrada Mesquita (em Mecca) e levando-o à Mesquita de Al-Aqsa (em Jerusalém), cujo recinto bendizemos, para mostrar alguns dos Nossos sinais. Sabei que Ele é o Oniouvinte, o Onividente”. (C 17 – V 1).

Atualmente todos os muçulmanos do mundo rezam as cinco orações diárias e obrigatórias em direção à Caaba, localizada em Mecca, na atual Arábia Saudita. Esta Casa Sagrada, que foi construída pelo profeta Abraão (A.S.) e seu filho Ismael (A.S.), é considerada o Templo Sagrado mais antigo da Terra. Nesta Sagrada Mesquita existe a fonte da água Zam-Zam, que surgiu sob os pés do profeta Ismael (A.S.) e existe até os dias atuais. Há também na Mesquita o local conhecido como Maqam Ibrahim (o local de Ibrahim), que representa o local onde o profeta Abraão (A.S.) orava. Como também existe o ponto conhecido como Hejer Ismael (o canto de Ismael), onde o profeta Abraão (A.S.) residia com a sua família. Este é o destino de milhões de peregrinos muçulmanos de todos os continentes em todos os anos. Deus disse no Alcorão Sagrado: “A primeira Casa (Sagrada), erguida para o gênero humano, é a de Makka, bendita seja, servindo de orientação para a humanidade. Encerra sinais evidentes: lá está a Estância de Abraão, e quem quer que nela entre estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Deus, por parte de todos os seres humanos que estejam em condições de empreendê-la, entretanto, quem se negar a isso saiba que Allah pode prescindir de todas as criaturas”. (C 2 – V 96 e 97).

Um ponto interessante é que em uma das quatro colunas da Caaba há uma Pedra do Paraíso, chamada de Al-Hajar Al-Açuad (A Pedra Negra). A Caaba foi reconstruída inúmeras vezes, em diferentes épocas, as mais significativas delas foram na época do avô do profeta Mohammad (S.A.A.S.), Quçai ibn Kilab, e também antes do profeta receber a Mensagem Islâmica e ser enviado como profeta. As reconstruções continuaram e atualmente, a Mesquita da Caaba, suporta mais de um milhão de fiéis. Estas ampliações e reformas que beneficiaram a Mesquita da Caaba incluíram dentro do seu território duas montanhas: Safa e Marwa. Na cidade de Mecca e em diferentes regiões próximas existem outros pontos históricos que são considerados sagrados e que recebem a visita, em todos os anos, de milhões de fiéis.

A religião do diálogo

O Islam é a mensagem do intelecto, da razão, da ciência, do diálogo e do esclarecimento, uma vez que elucida qualquer assunto ou questão. No Islam não existe uma pergunta sem resposta, e por isso o Islam não aceita o terrorismo teórico, ou seja, não aceita a imposição de uma opinião e teoria sobre outrem. Isso é completamente repudiado pela religião islâmica.

A religião ampla que contém tudo

O Islam inclui em si todos os campos da vida, se baseia no equilíbrio entre diversos campos, tanto material quanto espiritual. Assim, a doutrina islâmica liga a mesquita à universidade, o trabalho à casa, a devoção à política, se infiltra em diversas áreas, tais como a medicina, a sociologia, a educação, a devoção, a política, a economia, o esporte, os planejamentos, os direitos e deveres, e a legislação. A religião islâmica é uma conduta e influi em todos os campos ligados ao Estado, sociedade, família e ao ser humano. O Islam é uma religião completa e preenche os vazios que possam existir na sociedade e no ser humano no que tange a questões materiais e espirituais.

A religião da virtude e da ética

Um dos atributos mais importantes do Islam é sua amplitude moral e ética, sempre presente em nossa política, trabalho, família, educação e em todos os outros campos da vida. Ao mesmo tempo, o Islam nos convida a nos afastarmos de tudo aquilo que é imoral e prejudicial.

A religião da sabedoria e do conhecimento

Os primeiros versículos que foram revelados ao profeta Mohammad (S.A.A.S.) são: “Lê, em nome do teu Senhor que criou; Criou o homem de algo que se agarra (coágulo); Lê, que o teu Senhor é o mais Generoso, que ensinou através da pena; Ensinou ao homem o que este não sabia”. (C 96 – V 1 a 5). Buscar o conhecimento é obrigatório no Islam. Conhecimentos que trazem benefícios à sociedade, que não sejam maléficos e destrutivos. Os conhecimentos maléficos são proibidos e considerados como pecados no Islam. Ele nos convida a não seguir cegamente os costumes e as culturas dos antepassados, mas incentiva a meditação, o pensamento ativo e o equilíbrio mental. Pois somente assim não seremos ignorantes e seguiremos a verdade. Ele nos ordena a evoluir os nossos pensamentos, incentiva a descoberta e o estudo das ciências humanas e naturais para que possamos correlacionar o ser humano ao seu Criador.

A religião que ilumina os povos

O Islam teve uma grande contribuição no destino da humanidade ao elevar e ensinar as nações fortes que carregam a bandeira da orientação e da verdade. Isso não se limita somente à época e lócus de sua revelação. O Islam ensinou, despertou e elevou as nações e os povos do mundo todo, e nunca restringiu os benefícios de sua grande civilização, avançando em todos os campos como na química, medicina, física, matemática, astrologia e em outras ciência, e divulgando seus conhecimentos e descobertas para toda humanidade. Deste modo, a civilização islâmica foi seguindo até chegar aos povos europeus e asiáticos, os alçou e orientou para o caminho da felicidade, e com isso teve um grande papel em civilizar e ensinar os povos europeus. Por isso que o Islam proibiu a destruição da alma, do corpo, da mente e do espírito humano, pois proíbe o consumo de qualquer tipo de droga e qualquer coisa impura, uma vez que contamina a alma e acaba tendo como resultado um ser humano criminoso e doentio, o que resultará em um ponto negativo na sociedade.

A religião da vida

A religião islâmica não é uma religião baseada somente na devoção, ela está ligada a toda vida do ser humano. Todos os aspectos da vida humana dizem respeito ao Islam, sejam eles no plano individual, social e político.

A religião totalmente praticada pelo seu revelador

O Islam foi ponto de partida de todas as atitudes e práticas do profeta Mohammad (S.A.A.S.). Ele se baseou nas leis para fundar um Estado e um Governo Islâmico que protegeu os oprimidos, injustiçados, pobres e fracos. O Islam é a única religião que transformou seus lemas e orientações em verdades materiais, que podem ser vividas entre os indivíduos. Com o esforço do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) e seus companheiros o Islam fundou o primeiro Estado Divino na face da Terra na cidade de Medina.

A religião universal

O Islam não está limitado a territórios, países, etnias, cores, nacionalidades, idiomas ou idades, o Islam se abre e inclui qualquer ser humano pelo simples motivo dele ser humano. Os ensinamentos islâmicos são uma mensagem universal, é a religião completa que se baseia no amor e nos pontos comuns entre os seres humanos por serem da mesma criação.

O Islam e o respeito perante a vida

O Islam considera a vida humana sagrada. A ofensa contra esta vida é considerada uma ofensa contra toda a humanidade. O Islam proibiu matar a alma inocente, mesmo se tratando de um bebê dentro do útero da mãe. O Islam também considera a ofensa contra si próprio um insulto contra toda humanidade, porque o ser humano não tem poder sobre si, este poder é de Deus apenas. Por isso, o Islam crê que o assassino permanecerá eternamente no inferno. Deus disse no seu Livro Sagrado: “Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na Terra, será considerado como se tivesse assassinado toda humanidade”. (C 5 – V 32). O profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: “Para Deus acabar com o universo todo é mais fácil do que testemunhar o derramamento de sangue sem justiça”. O ser humano sempre deve ser respeitado, qualquer ofensa baseada em sua cor, etnia, idade, origem, sexo, situação física ou financeira é considerada um pecado e um crime no Islam.

A religião contínua e eterna

O Islam, por ser a última mensagem celestial revelada, foi preservado por Deus, permanecendo intacto até o final dos tempos. O Alcorão Sagrado é o grande milagre do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), pois é eterno e se diferencia de outras mensagens de profetas anteriores, que tiveram seus milagres limitados a determinados locais e épocas. A promessa divina será cumprida em toda face da Terra quando o Imam Al-Mahdi (A.S.) e o profeta Jesus Cristo (A.S.) voltarem e fundarem o Estado e o Governo justo e verdadeiro no mundo todo.


O Islam no Mundo e no Brasil

A religião abrange diversas etnias em todo o mundo

Boa parte da população ocidental acredita que o mundo islâmico é aquela porção de países do Oriente Médio que têm como idioma oficial o árabe. Por isso, são indevidamente considerados árabes alguns países de maioria islâmica, mas que têm outros idiomas, como Turquia (línguas turca e curda), Irã (persa), Afeganistão (pashtu e dari) e Paquistão (urdu e punjabi).

Existem atualmente cerca de 1,5 bilhões de muçulmanos no mundo, como são denominados os adeptos do islamismo. A maioria vive na Ásia, onde essa religião foi revelada por Deus através do Profeta Mohammad e ganhou o mundo há cerca de 1.400 anos. Da Ásia, os muçulmanos passaram para o norte da África – onde foram chamados de mouros – e parte da Europa. Integraram-se com populações locais, miscigenando-se com africanos, europeus das penínsulas ibérica e itálica e outros povos. Hoje eles estão presentes também entre europeus, norte-americanos e até brasileiros.

O Islamismo cresceu em número de adeptos muito mais fora do mundo árabe do que no local em que a religião nasceu. Basta fazer uma comparação: os países islâmicos mais populosos, como a Indonésia (com “apenas” 228 milhões de habitantes), o Paquistão (145 milhões), Bangladesh (131 milhões) e Nigéria (127 milhões) têm contingentes humanos muito maiores que o Egito (70 milhões), país de maior população entre os árabes, seguido de longe pelo Sudão (36 milhões). Até a Índia, majoritariamente hindu, tem aproximadamente 100 milhões de muçulmanos.

No Brasil

O Islamismo na África subsaariana repercutiu de forma indireta na história do Brasil colonial, uma vez que muitos escravos trazidos ao país praticavam o Islamismo. A maioria desses escravos exercia atividades agrárias, mas os escravos das áreas urbanas ultrapassaram o limite da relação com seus senhores, entrando em contato com diferentes grupos sociais, fazendo com que o Islamismo se propagasse mais rapidamente. No contexto urbano, os escravos muçulmanos se diferenciavam dos demais por serem instruídos e por não aceitarem a imposição religiosa de seus senhores. Os senhores convertiam seus escravos ao catolicismo através do batismo, ignorando as crenças dos mesmos, mas isso contribuiu para que os muçulmanos ficassem ainda mais unidos em sua prática religiosa.

Em 1835, os escravos muçulmanos organizaram na Bahia a Revolta dos Malês, contra a escravidão. Alguns historiadores assinalam a notável organização do movimento durante esta revolta, que foi muito importante para o enfraquecimento do sistema escravocrata. Seus principais líderes, quando capturados em batalha, foram devolvidos ao continente africano, pois os militares temiam que, caso fossem executados, a fé dos combatentes remanescentes aumentasse.

Antes de chegar ao Brasil, Heitor Furtado de Mendonça, padre português e primeiro inquisidor oficial em terras brasileiras, visitou colônias portuguesas na África, onde identificou os procedimentos religiosos dos nativos daquele continente, tendo adentrado pelo Reino de Benin, que, mediante aliança político-comercial com Portugal, serviu de porto para o comércio de escravos. Já no Brasil, Furtado assinalou os costumes dos “maometanos” (seguidores de “Maomé”), tais como a oração de Salatul Juma (Oração de Sexta-Feira), o não-consumo de carne ou gordura de porco e de bebidas alcoólicas, a escrita de caracteres árabes e a leitura de livros como o Alcorão.

Na Era Moderna

Atualmente o Islam no Brasil, segundo instituições islâmicas, conta com cerca de 1 milhão de fiéis, 50 mesquitas e mais de 80 centros islâmicos espalhados pelo país.

A maior parte dos muçulmanos brasileiros vive nos estados de São Paulo e Paraná, mas também existem comunidades significativas no Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Grande parte desses muçulmanos são descendentes de imigrantes sírios e libaneses que fixaram residência no país durante a Primeira Guerra Mundial, e eram chamados de “turcos”, pois eram súditos do Império Otomano, que foi derrotado e extinto naquele conflito. Grande parte desses emigrantes veio para o Brasil por serem contrários ao domínio turco e também para não serem recrutados pelo exército do império. Serem chamados de “turcos”, para eles, era uma grande ofensa, mas mesmo assim, o rótulo permaneceu e foi assimilado. E inclusive, chegou a ser aplicado aos judeus por quem mal conhecia as diferenças entre todos esses povos. Além dos que fugiram do regime otomano, muitos sírios e libaneses emigraram no fim do século 19 e início do século 20 por causa da pobreza e da falta de oportunidade de trabalho em sua terra natal. Não eram majoritariamente muçulmanos, mas cristãos. O Brasil também recebeu uma quantidade significativa de refugiados dos conflitos entre israelenses e palestinos, da Guerra do Líbano de 1982 e dos recentes conflitos no Iraque.

Na cidade de São Paulo existem cerca de dez mesquitas, dentre as quais a Mesquita Brasil, a primeira da América Latina, inaugurada em 1929. O movimento de construção de mesquitas começou nos anos 1980 e teve uma forte aceleração desde então. A partir desta época o Islam começa a ser, mais propriamente, difundido no Brasil e a comunidade se fortalece, une e organiza-se consideravelmente.

Digno de nota é a harmoniosa convivência entre as duas correntes islâmicas (xiita e sunita) e as diversas nacionalidades árabes. No Brasil a comunidade, meritoriamente, deixa as diferenças de lado, dialoga e mantêm-se unida, e fortalecem-se os laços de solidariedade. A ponto de participarem de cerimônias religiosas (como orações congregacionais, celebrações do mês de Ramadã, funerais, entre outras) juntos. Inclusive, podemos citar o caso do bairro paulistano do Brás, que conta com duas enormes mesquitas das duas grandes escolas islâmicas, uma xiita e outra sunita, construídas bem próximas, separadas, apenas, por um quarteirão.

A comunidade têm se inserido na sociedade através da cultura com escolas, cursos, bibliotecas, palestras, web sites, acampamentos religiosos, conquista de espaço na mídia e publicações de livros e revistas.

Um dos sinais de evolução e do aumento do número de adeptos ao Islam é a existência de muçulmanos que participam do governo e nos parlamentos no Brasil. As mulheres muçulmanas possuem total liberdade para expressar sua religião através do uso do véu, podendo até utilizar foto com o véu na cédula de identidade ou passaporte brasileiro. Os muçulmanos podem, também, registrar seus filhos com nomes islâmicos. Esta é uma política nova mais afinada com a diversidade religiosa e cultural do Brasil

Hoje em dia, as comunidades islâmicas estabelecidas em grande número em certas regiões manifestam normalmente sua cultura e costumes. Como exemplo temos os restaurantes com seus pratos típicos, açougues com carne halal (abatida segundo o rito islâmico), comércio e produção de produtos alimentícios inspecionados por instituições islâmicas e seus respectivos líderes religiosos, a este item corresponde um grande volume de exportação do Brasil aos países islâmicos.

O Centro Islâmico no Brasil vem participando destas múltiplas atividades, sob a liderança de sua eminência Sheikh Taleb Hussein al-Khazraji, e tem feito um trabalho intenso, principalmente na área social e cultural.

Um mecanismo de grande importância utilizado para inserção cultural tem sido a internet, e o Centro Islâmico no Brasil foi um dos pioneiros nessa área, sendo que atualmente seu web site é um dos mais visitados entre os web sites islâmicos.

Outra frente de inserção e promoção sociocultural da comunidade muçulmana no Brasil se dá com a construção de hospitais, instituições de caridade e orfanatos, e com a elaboração de sistemas de assistência psicológica, ajuda financeira e apoio aos necessitados.

Hoje, os muçulmanos ocupam um grande espaço no campo da economia, da política, da saúde, da cultura, e etc. Isso é fruto da política brasileira e deste grandioso país que recebeu de braços abertos os seguidores desta religião e os apoiou em seus mais difíceis momentos. E hoje, as relações entre os países islâmicos e o Brasil possuem laços mais firmes e fortes, pois existe um amplo respeito mútuo entre estes países.

As Conversões

O Islam no Brasil conta com um número crescente de interessados que diariamente procuram as instituições islâmicas e as mesquitas. Isto devido a já haver um número significativo de centros islâmicos e mesquitas e, principalmente, à grande exposição na mídia. O perfil dos interessados são os mais variados possíveis, são estudantes, donas de casa, professores, pesquisadores, jovens, idosos, adeptos de outras religiões, e etc.

O Islam, atualmente, é a religião que mais cresce no planeta.

Diante dessa sucinta introdução a respeito da religião islâmica nós pedimos para Deus que nos dê a força e a sabedoria para cumprirmos com nosso dever na propagação do Islam.

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